Projeto
Making Portugal
Desafiando o passado. Mecenato e agência dos Africanos e Afro-descendentes nas artes e na arquitetura de época moderna em Portugal durante o tráfico negreiro transatlântico (1486-1836)
MAKING PORTUGAL pretende repensar a história moderna da arte e arquitetura europeia, usando Portugal como um caso exploratório. A principal ambição é revelar o papel ativo de pessoas de origem ou ascendência africana na construção ou criação do que é atualmente considerado Património Nacional Português (material e imaterial). Pretende-se desvendar as ações de mecenato, financiamento, gosto e produção levadas a cabo por indivíduos ou comunidades negras que, vindo ou nascendo em Portugal, viveram como pessoas escravizadas, libertas ou livres. Como provocativamente propôs Olivette Otele em 2020, eles eram europeus africanos, e a partir desta nova perspetiva a nossa perceção da história artística de Portugal pode mudar radicalmente. Assim, é crucial repensar o papel das pessoas africanas ou afrodescendentes no contexto cronológico do Tráfico Transatlântico de Escravos (1486 -1836), especialmente no âmbito da tradição clássica europeia e da história da arte e da arquitetura em Portugal onde os europeus africanos não foram considerados como possíveis protagonistas. Tomando Portugal como um caso exploratório, MAKING PORTUGAL pretende ser um projeto-piloto a estender no futuro a outros países europeus, em particular à Itália e à área do Mediterrâneo.
Equipa
Giuseppina Raggi é professora auxiliar do Departamento de História da Arte da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade NOVA de Lisboa. Doutorada em História da Arte (2005) pelas Universidades de Lisboa (Portugal) e de Bolonha (Itália), especializou-se na pintura de quadratura e nos intercâmbios artísticos e culturais entre Itália, Portugal e o Brasil colonial (sécs. XVII e XVIII). Em seguida, dedicou-se à circulação artística no espaço europeu e no espaço atlântico, destacando novos protagonistas. Por um lado, a partir do estudo dos projetos para Lisboa do arquiteto-cenógrafo Filippo Juvarra, aprofundou o papel das mulheres na arquitetura e na promoção da ópera e do teatro em Portugal (séc. XVIII). Por outro lado, a partir do estudo sobre a invisibilização do protagonismo das mulheres, implementou projetos de pesquisa sobre o mecenato e o protagonismo artístico de Africanos e Afrodescendentes na construção do património material e imaterial de Portugal durante a época moderna (sécs. XVI-XVIII). Atualmente, é Investigador Responsável do projeto «Making Portugal – Challenging the past: Patronage and agency of people of African birth or descent in early modern arts and architecture in Portugal during the Transatlantic Slave Trade (1486-1836)» (2023.12349.PEX), sediado no Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra em coligação com o IHA-NOVA FCSH.
Em 2021 publicou o livro O projeto de D. João V. Lisboa ocidental, Mafra e o urbanismo cenográfico de Filippo Juvarra e coeditou o volume Filippo Juvarra, Domenico Scarlatti e il ruolo delle donne nella promozione dell’opera in Portogallo, como resultado de um projeto financiado pela Fundação Calouste Gulbenkian (2019-2020). Recentemente, publicou o texto Artistic patronage and agency of Black people in early-modern Brazil: two ceiling paintings in Salvador and Olinda, in Stephen John Campbell, Stephanie Porras (eds.), The Routledge Companion to the Global Renaissance. New York: Routledge 2024, 624-639.
Antonieta Reis Leite (Angra do Heroísmo, 1975) é investigadora auxiliar no Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra, onde integra a linha temática A Europa e o Sul Global: Património em diálogo. Integra, como vice-diretora, a direção do CES. É também professora auxiliar convidada no dARQ Universidade de Coimbra. Licenciou-se em arquitetura pela Universidade de Coimbra (Portugal) em 2000 e em 2005 obteve um Diploma de Estudos Avançados em história da arte pela Universidade Pablo de Olavide (Espanha), onde concluiu o curso de História da Arte e Arquitetura na Ibero América. Doutorou-se em 2012 pela Universidade de Coimbra com investigação sobre a história do ambiente construído do arquipélago dos Açores na sua relação com o processo de povoamento das ilhas descobertas despovoadas no séc. XV. Tem trabalhado sobre o papel da arquitetura e do urbanismo no processo de colonização europeia de ilhas e costas marítimas. O seu trabalho é informado por fontes históricas locais e coloniais e enfatiza a importância de uma abordagem interdisciplinar, relacionando a história da arquitetura e a história urbana com os estudos do património. É autora de dois livros, artigos científicos e capítulos de livros. Participa em projetos de pesquisa financiados na sua área de especialização.
Biografia em atualização.
Biografia em atualização.
Biografia em atualização.
Margarida Calafate Ribeiro é doutorada em Estudos Portugueses pelo King's College, Universidade de Londres; éinvestigadora-coordenadora no Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra, titular da Cátedra Eduardo Lourenço,Instituto Camões/Universidade de Bolonha, com Roberto Vecchi, investigadora convidada na Faculdade de Línguas Modernase Medievais da Universidade de Oxford e membro do grupo de investigação CRILUS, da Universidade de Paris-Nanterre. Émembro correspondente da Academia das Ciências de Lisboa. É professora e co-coordenadora do curso de doutoramentoPós-Colonialismo e Cidadania Global (CES/ FEUC). Coordenou 14 projectos de investigação e em 2015 foi-lhe atribuída umaConsolidator Grant do Conselho Europeu de Investigação (ERC) com o projeto de investigação 'MEMOIRS Children of Empiresand European Postmemories'. A sua investigação centra-se na memória e pós-memória do colonialismo e do império,identidades, pós-colonialismo, mulheres e guerra, e representações literárias e artísticas.
É autora de Uma história de regressos: império, guerra colonial e pós-colonialismo e África no feminino: mulheresportuguesas na Guerra Colonial e co-editora de vários livros publicados com investigadores europeus, africanos e americanos.
Os seus livros mais recentes são Des-cobrir a Europa - filhos de impérios e pós-memórias europeias (2022), escrito com Fátimada Cruz Rodrigues e está também disponível em francês Enfants d'empires coloniaux et postmémoires européennes (PressesUniversitaires de Nanterre); Eduardo Lourenço - uma geopolítica do pensamento (2023), escrito com Roberto Vecchi; e o livrode autora Europa Transfigurada – Heranças e Restituição (2025).
Paulo Almeida Fernandes (Lisboa, 1974) é doutorado em História da Arte pela Universidade de Coimbra, mestre em Arte, Património e Restauro e licenciado em História, variante de História da Arte, ambos pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. É membro integrado do Instituto de História da Arte da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas (Universidade Nova de Lisboa) e colaborador do Instituto de Estudos Medievais (Universidade Nova de Lisboa). É ainda membro do Comité Internacional de Especialistas do Caminho de Santiago (órgão consultivo da Xunta da Galiza).Desempenha funções de coordenação do serviço de Inventário e Investigação do Museu de Lisboa - EGEAC, no âmbito das quais tem estado envolvido em várias exposições e edições sobre a história da cidade. Entre as várias exposições que comissariou salientam-se Convivência(s). Lisboa Plural 1147-1910 (2019) e Crónicas de uma Lisboa desconhecida (2025). Dos mais de 200 títulos publicados, destacam-se Testemunhos da Escravatura. A memória africana no Museu de Lisboa (2017), ou «In front of our eyes; yet under the carpet. Reinterpreting the heritage of African slave communities in Lisbon», Collecting with(in) the city (Amesterdão, 2026).
Rui Lobo é Professor Associado no Departamento de Arquitetura da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) e investigador do Centro de Estudos Sociais-UC.
Fez parte do primeiro grupo de arquitetos formados na Universidade de Coimbra, em 1994. Doutorou-se em 2010 com a tese "A Universidade na Cidade. Urbanismo e arquitetura universitários na Península Ibérica da idade média e da primeira idade moderna".
Tem produzido investigação em teoria e história da arquitetura - em particular nos temas da arquitetura universitária, da arquitetura portuguesa e da arquitetura dos jesuítas. É autor de vários livros, capítulos de livros e artigos, publicados em Portugal e no estrangeiro.
Foi Investigador Principal do projeto SANTACRUZ, sedeado no CES-UC e com financiamento competitivo da FCT (Fundação para a Ciência e a Tecnologia), entre 2018 e 2022. É Vice-Coordenador do Curso de Doutoramento em Arquitetura da FCTUC e membro do Conselho Editorial da revista Monumentos.
Direitos da Foto © Ana Caldeira / CES-UC
Biografia em atualização.
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Financiamento
Desafiando o passado. Mecenato e agência dos Africanos e Afro-descendentes nas artes e na arquitetura de época moderna em Portugal durante o tráfico negreiro transatlântico (1486-1836)”, com a referência 2023.12349.PEX, é financiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia. DOI: https://doi.org/10.54499/2023.12349.PEX”